sexta-feira, 10 de junho de 2016

Da Galeria


Desde a antiguidade há relatos de grandes pensadores, muitos foram cruciais para a configuração moderna do homem, outros nem tanto, e acabaram por serem esquecidos. De qualquer forma, bom, não é todo grande pensador que se torna "grande" para a história, além disso, alguns não são nem meramente reconhecidos em vida. Apesar disso, a figura do intelectual, em sua síntese e efeitos, em suas contradições e limitações, são singulares, expressivos e essenciais.
Por muito tempo os estudos filosóficos foram restringidos aos "intelectuais", sejam cientistas ou filósofos, ou até mesmo estudiosos. Hoje, com a globalização e uma certa facilidade na obtenção de informações (se considerarmos os avanços tecnológicos) percebe-se uma mudança nessa identificação, ainda que ela não possa ser usada casualmente.
Um professor pode ser intelectual? Afinal, o que são intelectuais? Para que serve o intelectual e qual o papel das humanidades hoje?
Gramsci propõe justamente essa desmitificação do intelectual, onde todos os homens são filósofos, pois todos pensam e são capazes de exercer sua função intelectual, no entanto, nem todos os homens são intelectuais. Pois um intelectual não é aquele que apenas possui conhecimento, mas todo um sistema lógico, sistemático, individual, de forma que garanta seu desenvolvimento e tente explicar o mundo ao seu redor. Claro, existem intelectuais como os categorizados como malditos que não farão nada para a mudar a realidade, mas ainda assim foram capazes de mudar as suas próprias. Então, seu professor pode ser um intelectual, qualquer um pode ser, mas ao mesmo tempo nem todos são, ou melhor, muito poucos são.

Por: Natália Carolina Oliveira Tavares
Graduanda em Letras - Português Literaturas
Matrícula: 201275019-0

O Intelectual Maldito

"Qual é o primeiro traço que prende nossa atenção quando se ligam os caracteres malditos com a prática intelectual? O intelectual produzido por esse cruzamento converte-se em testemunha de um tempo de desordem. Não dá normas a ninguém nem detém nenhuma coisa." (GRAMSCI, 2001, p. 10)

O Intelectual maldito está em um comportamento sem compromisso, bem característico de pessoas a frente do seu tempo. Suas atitudes de não se importar muito com o que lhe é alheio, transparecendo um pensamento de comodismo, mas ao mesmo tempo sem concordar resulta em um desequilíbrio social. Esse tipo de comportamento se faz presente mais do que se possa imaginar em indivíduos visionários, como, por exemplo, Baudelaire e Rimbaud.


Por: Priscila Tomé de Jesus
Graduanda em Letras - Português Literaturas
Matrícula: 201375521-8

O Intelectual Revolucionário

"O intelectual revolucionário, no auge de sua força, será o primeiro interessado em dissolver essa unidade, destinando seus valores a robustecer a figura do revolucionário, ao mesmo tempo  em que deixará pairar dúvidas sobre a eficácia do intelectual enquanto tal." (GRAMSCI, 2001, p. 45)

A intencionalidade é revolucionária, estar distante de sentimentos ou atitudes moldadas, de forma a resultar em ideias diferentes. A concepção do intelectual revolucionário é objetiva não se prendendo a conceitos socialistas, por tanto sabendo que o social não irá despertar nenhum pensamento uniforme.

Por: Priscila Tomé de Jesus
Graduanda em Letras - Português Literaturas
Matrícula: 201375521-8

O Intelectual Precursor

"Também o precursor é aquele que parecerá sentir-se mais à vontade quando o pensamento se encaminha a não reproduzir as realidades mentais existentes." (GRAMSCI, 2001, p. 25)

O conceito do intelectual precursor irá se basear no saber, suas ideias são revolucionárias, o mundo contemporâneo de certa forma o envolverá, distanciando do que lhe prendia no passado, sua racionalidade estará voltada para o que ele julga ser real, sem  qualquer advercidade com a sociedade. 

"O perfil do intelectual precursor, todavia,resulta num cativante problema, focaliza a relação do conhecimento com as bases sociais que sustentam qualquer forma de compreensão da realidade." (GRAMSCI, 2001, p. 26)

Por: Priscila Tomé de Jesus
Graduanda em Letras - Português Literaturas
Matrícula: 201375521-8

Para que serve o intelectual hoje?

Existe uma crença de que os intelectuais devem ser agentes de mudança, de transformação, de forma que mudem a realidade existente por meio de uma missão engajada e revolucionária. Mas será essa a função do intelectual? Será que os intelectuais ao redor do mundo tem as mesmas preocupações? Será que os intelectuais são todos iguais? Será que seus objetivos são estáticos e imutáveis?
Os intelectuais não podem ser desassociados do fator social, para além existem outros fatores essenciais que constituem o 'ser intelectual', como o histórico, o político, o econômico, etc. O intelectual é fruto da sociedade que o abriga, ou das sociedades, bem como do seu experenciamento.
Para Gramsci (2001), o intelectual é uma ação social, não um resultado da Academia, de maneira que que possa transitar por inúmeros caminhos, de incontáveis formas, podendo ir e voltar, as vezes até mesmo se perder, mas com a consciência de que sabe onde está e a razão.

Por: Natália Carolina Oliveira Tavares
Graduanda em Letras - Português Literaturas
Matrícula: 201275019-0

quinta-feira, 26 de maio de 2016

O que são intelectuais?


Os intelectuais sempre tiveram um papel importante no desenvolvimento da sociedade, mas esse papel assume objetivos distintos dependendo de vários fatores. Isto nos leva a pensar nos determinantes que irão constituir a figura do intelectual em determinada sociedade, em determinado tempo. O contexto social, político, econômico, geográfico e cultural agem diretamente no desenvolvimento do indivíduo enquanto intelectual. Seguindo essa lógica é possível inferir que existem vários tipos de intelectuais? Mas o que torna o indivíduo um intelectual?
O livro 'O que são intelectuais', de Horácio Gonzalez nos apresenta algumas explicações para que possamos entender o papel dos intelectuais em suas diferentes formas de atuação. O autor foca em sete tipos de intelectuais: o intelectual maldito, o intelectual precursor, o intelectual revolucionário, o intelectual populista, o intelectual cosmopolita e o intelectual do círculo do poder.
Para compreender o que são intelectuais é necessário entrar na galeria de Horácio Gonzalez e contemplar a exposição dos quadros dos intelectuais através da história. Dessa forma, será possível dar sentido a realidade partindo do imaginário em que consiste tal percurso nessa Galeria tão singular.

Por: Natália Carolina Oliveira Tavares
Graduanda em Letras - Português Literaturas
Matrícula: 201275019-0